A Matemática da desigualdade

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A Matemática deve ficar de fora do debate sobre a desigualdade e a progressiva concentração de riquezas nas mãos de uma parcela cada vez menor da população no século XXI?

“A Matemática assume um papel fundamental para o pleno acesso dos sujeitos à cidadania. Em uma sociedade cada vez mais baseada no desenvolvimento tecnológico, os conhecimentos matemáticos tornam-se imprescindíveis para as diversas ações humanas, das mais simples às mais complexas, tais como compreensão de dados em gráficos, realização de estimativas e percepção do espaço que nos cerca, dentre outras.”

É com essas palavras que o texto introdutório da Base Nacional Comum do Ensino Médio (BCN) inicia o documento da área de matemática.

Embora esse papel da Matemática na formação do cidadão seja defendido desde os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), de 1997, a BNC traz, como novidades, um conjunto de saberes “comuns” a serem trabalhados em cada série da Educação Básica e, o que parece mais importante, põe à comunidade para dentro desse debate, uma vez que abre uma consulta pública aberta à participação e contribuição da sociedade.Para isso, basta acessar o site, fazer a inscrição e participar.

No documento, os objetivos da aprendizagem foram organizados em cinco eixos: Geometria, Grandezas e Medidas, Estatística e Probabilidade, Números e Operações, Álgebra e Funções. Esses eixos não devem ser considerados estanques.

Se a riqueza de cada eixo se verifica no conjunto de relações que podem ser estabelecidas entre os outros eixos da aprendizagem matemática e das outras áreas do conhecimento, não resta dúvida que a Estatistica e Probabilidade aparecem com grande potencial para isso.

É, pelo menos, o que sugere a reportagem de CartaCapital, de Antonio Luiz M. C. Costa, na qual esta aula é baseada. Trata-se de uma rica oportunidade para os professores de história, literatura e matemática se encontrarem para realizar um pequeno projeto pedagógico e político.

Embora também esteja em discussão a intimidação e repressão de debates que sugerem temas e posições ideológicas em sala de aula, enunciada por alguns parlamentares, uma análise das informações trazidas no artigo oportunizam ao conjunto de atores da escola o início de um conversa, que merece ser aprofundado, sobre os riscos que a democracia vem correndo mediante a crescente concentração de riquezas por uma fração cada vez menor da população mundial nesse nosso século.

É essa a advertência que vários analistas e estudiosos, entre os quais o economista francês Thomas Piketty, vêm se dedicando a explorar.

Fonte: Carta Educação

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