Ensino médio deve fazer sentido para jovem, diz Conselho de Secretários

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O ensino médio é considerado um dos grandes gargalos da educação brasileira. A etapa, que tem três anos de duração, concentra altos índices de evasão escolar e baixo desempenho nas avaliações nacionais. No final de semana, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) reuniu-se, em Manaus, para debater mudanças.

Em entrevista, o presidente do Consed, Eduardo Deschamps, secretário de Educação de Santa Catarina, disse que um dos problemas é que os alunos são preparados para o ensino superior, mesmo que a maioria nunca ingresse em uma universidade.

Ele defende menos conteúdo obrigatório no ensino médio e mais tempo para que o aluno escolha o que quer aprender. Com isso, o próprio Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve ser reformulado.

Eduardo aposta na Base Nacional Comum Curricular, que está em fase de consulta pública, para a definição do conteúdo básico a ser aprendido. As novas tecnologias também devem ajudar no ensino. “Vai ter uma grande revolução por conta do smartphone“, diz.

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Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Em que é preciso trabalhar para de fato transformar o ensino médio?

O ensino médio no Brasil é tratado quase como uma etapa de passagem do ensino básico para a universidade, a gente tem praticamente um currículo único no Brasil que é ditado hoje pelo Enem. Quando olhamos os dados estatísticos, você vê que menos de 30% dos jovens entre 18 e 24 anos estão na universidade. Significa dizer que mais de 70% não vão seguir esse caminho.

O Brasil precisa alinhar o ensino médio com o que é feito no mundo. O mundo não tem um currículo padrão. Por isso que a gente fala muito da flexibilização, da diversificação do ensino médio, permitindo percursos formativos diferentes. Tem que fazer mais sentido para o jovem.

As redes de ensino hoje têm condição de oferecer aos jovens essa diversificação?

Acho que tem que ter um processo de adaptação das redes, quer sob o ponto de vista administrativo, quer sob o ponto de vista de formação dos professores. Mas essa adaptação só vai acontecer quando a gente tiver o conceito de ensino médio que a gente quer preparar.

Há várias maneiras que o ensino médio é tratado no mundo. Tem modelos que estão sendo focados na educação profissional, já com uma integração, inclusive com o sistema de trabalho; têm sistemas que vocacionam escolas, com escolas muito boas na área de artes, ou na área de educação profissional; têm sistemas que permitem vários percursos dentro de uma mesma escola.

Há experiências de todos os tipos no Brasil nas redes estaduais, mas essas experiências são muito fragmentadas e pequenas.

De que forma a tecnologia deve ser usada no ensino médio?

Estávamos discutindo com o governo federal a questão da conectividade. Eles diziam: “Digam o que vocês querem que a gente leva a banda larga de acordo com a demanda que vocês têm”. Não é assim que vai funcionar.

Eu falei o contrário: “Entregue a melhor banda larga que puder entregar na porta da escola que a escola vai se organizar para isso”. Vai ter uma grande revolução por conta do smartphone. A maioria dos alunos já tem alguma conectividade de rede, mesmo que seja um pacote barato no smartphone, mesmo em áreas de vulnerabilidade social maior.

A partir daí, você começa a mudar a lógica de que é necessariamente a escola que deve entregar o equipamento para o aluno. A escola deve se preparar para o equipamento que o aluno tem e pensar de que maneira vai utilizar isso na sala de aula.

E que espaço tem o Enem nessa conjuntura?

Tem muita gente tratando o Enem de maneira diferente, para vários objetivos. Eu acho isso muito preocupante. Utiliza-se o Enem para ingresso no ensino superior, para avaliação da escola – quando se começa a divulgar o Enem por escola – e para certificação de alunos que eventualmente não tenham terminado o ensino médio.

Coloca-se no Enem uma carga que eu não sei se a prova está preparada para isso. Eu acho que o Enem precisa de reformulação, não da mais para tratar o Enem da forma que vem sendo tratado e para os fins que é utilizado.

Nesse aspecto, fortalecer muito a Base Nacional Comum Curricular e trabalhar com um projeto de lei do ensino médio na lógica da flexibilização, certamente vai levar a mudanças do Enem também.

Fonte: Rede Brasil Atual

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